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Atualizar não é só clicar em “Atualizar”: como gerenciar patches sem parar a empresa

Por Marco Biazon · Publicado em · 8 min de leitura

Muitas invasões não acontecem porque a correção não existe. A correção já foi publicada pelo fabricante, mas não chegou a todos os computadores: um notebook ficou desligado nas férias, uma reinicialização foi adiada por semanas, um computador nunca entrou no inventário.

Por isso, manter a empresa atualizada não é só deixar a atualização automática ligada. É um processo, e é sobre ele que este texto fala. Se a dúvida é por que corrigir falhas importa tanto, comece por vulnerabilidades de segurança e riscos de TI.

Atualização automática e gestão de patches são a mesma coisa?

Não. Patch é a correção que o fabricante publica. Gestão de patches é o processo de garantir que essas correções cheguem aos equipamentos certos, na hora certa, e de comprovar que chegaram.

Atualização automática Gestão de patches
Depende da configuração de cada computador Mantém um inventário central de equipamentos
Nem sempre avisa quando falha Identifica o que está faltando em cada um
Pode reiniciar na hora errada, ou nunca reiniciar Usa grupos, políticas e janelas de manutenção
Quase nenhuma visibilidade central Acompanha instalações, falhas e reinicializações
Não necessariamente cobre programas de outros fabricantes Gera relatórios e evidências

A coluna da direita também tem limite: o que ela cobre depende da ferramenta, das integrações e do que foi contratado.

O que é RMM

RMM vem de Remote Monitoring and Management, ou monitoramento e gerenciamento remoto. É a plataforma que as empresas de TI gerenciada (MSPs) instalam nos computadores dos clientes para:

  • manter o inventário de equipamentos e programas;
  • monitorar disponibilidade e saúde, como disco cheio ou serviço parado;
  • automatizar rotinas e executar tarefas a distância;
  • distribuir atualizações;
  • gerar alertas e relatórios;
  • dar suporte técnico remoto.

O RMM é a ferramenta. A gestão de patches é um dos processos que a equipe executa com ela.

Como uma empresa de TI gerencia atualizações

Ciclo de gestão de patches em sete etapas: inventário, identificação, prioridade, piloto, instalação, reinicialização e verificação 1234567 InventárioIdentificaçãoPrioridadePilotoInstalaçãoReinicializaçãoVerificação o que existeo que faltarisco e impactoambiente controladojanela combinadaaviso e exceçõesrelatório e evidência o ciclo recomeça
As sete etapas da gestão de patches. Ilustração conceitual, sem dados reais.
  1. Inventariar. Não dá para atualizar o que você não sabe que existe. O inventário lista computadores, servidores, sistemas e versões, e mostra quem está sem comunicação.
  2. Identificar o que falta. A ferramenta compara o que está instalado com as correções publicadas e aponta as pendências de cada equipamento.
  3. Priorizar. Nem tudo tem a mesma urgência. Uma falha que já está sendo explorada, como as do catálogo KEV da CISA, em um equipamento exposto à internet vem antes de uma melhoria de recurso no computador da recepção. O caso do PHP2Shell mostrou como o intervalo entre a divulgação e o ataque ficou curto.
  4. Testar primeiro em um grupo piloto. A atualização vai antes para poucos equipamentos representativos. Se algo quebrar, quebra em pouco lugar. A Microsoft chama esse modelo de anéis de implantação, e o NIST recomenda a mesma lógica até para correções urgentes.
  5. Programar a instalação. A distribuição geral acontece em uma janela que não atrapalhe o trabalho, combinada com a empresa.
  6. Controlar reinicializações e exceções. Muitas atualizações só passam a valer depois de reiniciar. Computadores que nunca reiniciam ficam com a correção baixada, mas não aplicada.
  7. Verificar e registrar. Conferir o que foi de fato instalado, o que falhou e por quê, e transformar isso em relatório.

Por que não instalar tudo imediatamente

Porque atualização também pode dar problema: um sistema de gestão que para de abrir, uma impressora que perde o driver. O NIST trata a atualização como manutenção preventiva, e manutenção bem feita equilibra risco e continuidade.

Esse equilíbrio tem dois ritmos. Uma falha crítica, exposta à internet e já explorada pede tratamento de urgência. Uma atualização de menor risco pode passar pelo grupo piloto e entrar na janela programada.

O que não pode existir é o adiamento sem fim. Toda exceção precisa de motivo, responsável e prazo, e, quando fizer sentido, de uma proteção no lugar, como isolar o equipamento da rede.

O que impede um computador de ficar atualizado

Mesmo com um bom processo, sempre existem pendências. As mais comuns:

  • equipamento desligado, fora da empresa ou sem conexão estável;
  • reinicialização pendente;
  • falta de espaço em disco;
  • instalação que falhou;
  • sistema operacional ou programa sem suporte do fabricante;
  • programa legado incompatível com a versão nova;
  • correção que o fabricante ainda não publicou;
  • aplicação que precisa ser homologada antes;
  • programa que a ferramenta não cobre;
  • equipamento que nunca entrou no gerenciamento;
  • firmware de firewall, roteador ou impressora, que segue outro processo.

Por isso, conferir o resultado importa tanto quanto mandar instalar. Atualização “enviada” e atualização “instalada” são coisas diferentes.

Indicadores que valem acompanhar

Não existe meta universal, mas estes números mostram se o processo funciona:

  • percentual de equipamentos em conformidade, e qual é a definição de conformidade;
  • atualizações críticas pendentes;
  • tempo entre a publicação de uma correção e a instalação;
  • computadores aguardando reinicialização;
  • falhas de instalação;
  • equipamentos sem comunicação há vários dias;
  • sistemas operacionais e programas sem suporte;
  • exceções abertas e prazo de cada uma.

O CIS, centro que publica os CIS Controls, recomenda aplicar atualizações do sistema operacional e dos aplicativos de forma automatizada, mensalmente ou com mais frequência.

Perguntas para fazer à sua empresa de TI

  1. Vocês têm um inventário atualizado dos nossos computadores?
  2. Quais sistemas e programas entram na atualização automática, e quais ficam de fora?
  3. Existe grupo piloto antes da distribuição geral?
  4. Como as reinicializações são controladas?
  5. O que acontece quando uma instalação falha, e como uma exceção é aprovada?
  6. Recebo um relatório que mostre o que está em dia e o que está pendente?

Como a Pulso faz

Usamos uma plataforma RMM de mercado nos computadores que gerenciamos. A rotina cobre o sistema operacional e os softwares da Microsoft:

  • Verificação diária das atualizações disponíveis, com aplicação semanal.
  • Ambiente controlado primeiro: toda atualização passa por um grupo de teste antes de ir para os clientes.
  • Reinicialização combinada: o usuário recebe um aviso uma vez por semana, com duas horas de antecedência, no dia definido previamente com cada cliente.
  • Exceções globais e por grupo: quando uma atualização causa problema, ela é investigada e bloqueada na política até haver solução.
  • Relatório mensal em PDF com a situação do ambiente.

Essa rotina faz parte do suporte de TI especializado e está incluída nos planos de suporte.

Equipamentos fora do gerenciamento, sistemas sem suporte do fabricante e programas de outros fabricantes ficam fora dessa rotina e precisam de um plano próprio.

Um processo, não um botão

Gestão de patches é um ciclo contínuo: inventário, prioridade, instalação, verificação e evidência. Uma plataforma RMM automatiza boa parte dele e aumenta a visibilidade, mas não elimina o risco sozinha. O que reduz a exposição é alguém acompanhando as pendências toda semana.

Sua empresa sabe quantos computadores estão com atualizações críticas pendentes?

No diagnóstico gratuito de TI, em uma conversa de cerca de 30 minutos por vídeo, mostramos como estão as atualizações, o inventário e a segurança do seu ambiente, e o que resolver primeiro.

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Fontes

Perguntas frequentes

O RMM atualiza programas de outros fabricantes?

Depende da ferramenta, das integrações disponíveis e do que está no contrato. Algumas plataformas cobrem uma lista de aplicativos de terceiros, outras só o sistema operacional e os produtos de um fabricante. Pergunte à sua empresa de TI exatamente o que entra na rotina automática e como ficam os programas que não entram.

Quem é responsável pelas atualizações em um contrato de suporte de TI?

Quem estiver escrito no contrato. O ideal é que ele diga quais sistemas e programas estão cobertos, com que frequência as atualizações são verificadas e aplicadas, como funcionam as exceções e qual relatório o cliente recebe. Equipamentos fora do gerenciamento e sistemas sem suporte do fabricante costumam ficar fora dessa responsabilidade e precisam de um plano próprio.

Este conteúdo é informativo e não substitui orientação jurídica.

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