Cibersegurança em 2026: o que se confirmou e o que a sua empresa deve fazer
Em março, publicamos as tendências de cibersegurança previstas para 2026. Agora, com relatórios publicados ao longo do ano, dá para separar o que se confirmou do que era só expectativa. Este texto foi revisado em setembro de 2026 e usa apenas dados que conferimos na fonte.
Resumo rápido
- Falhas de software exploradas viraram a principal porta de entrada, passando as senhas roubadas pela primeira vez em 19 anos.
- O ransomware cresceu de novo e aparece em quase metade das violações.
- Fornecedores e parceiros estão envolvidos em 48% das violações.
- A IA acelerou os ataques e criou um problema interno: funcionários usando IA com conta pessoal.
- Para uma PME, a lista de prioridades é curta: atualizar, proteger identidades, ter backup que volta e controlar quem tem acesso.
1. Vulnerabilidades passaram as senhas como porta de entrada
O relatório de violações de dados da Verizon (DBIR), publicado em 19 de maio de 2026 com dados de novembro de 2024 a outubro de 2025, trouxe a mudança mais relevante do ano: 31% das violações começaram pela exploração de uma vulnerabilidade, a falha de software que o atacante usa para entrar. É a primeira vez em 19 edições que esse caminho supera o uso de credenciais roubadas.
Para a PME, isso tem um nome prático: atualização. Sistema desatualizado, firewall sem correções e equipamentos que ninguém lembra que existem são exatamente o que os ataques automatizados procuram.
Um caso concreto: o suporte do Windows 10 terminou em 14 de outubro de 2025. A Microsoft vende atualizações de segurança estendidas para empresas por até três anos, com preço por dispositivo que dobra a cada ano. É uma ponte, não uma solução.
O que fazer: inventário de tudo o que está conectado, atualização automática e monitorada, e um plano para aposentar o que perdeu suporte.
2. Ransomware continua no centro
O ransomware, ataque que criptografa os dados e cobra resgate, subiu de 44% para 48% das violações no DBIR 2026. O valor mediano pago caiu, de US$ 150 mil para US$ 139.875. Ou seja: o ataque continua frequente, mesmo com resgates menores.
A pesquisa anual da Sophos, com 2.158 gestores de TI e segurança em 17 países, reforça o quadro: 56% dos ataques conseguiram criptografar dados, e só 1 em cada 3 organizações menores parou o ataque antes dessa etapa. O relatório de defesa digital da Microsoft de 2025 aponta que pelo menos 52% dos ataques com motivação conhecida foram movidos por extorsão ou ransomware.
O que fazer: proteção de endpoint com detecção e resposta (EDR) em vez de só antivírus, monitoramento que alguém acompanha e backup com cópia imutável e teste de restauração.
3. Fornecedores viraram o elo fraco
Ainda segundo a Verizon, violações envolvendo terceiros chegaram a 48% do total. Fornecedor de sistema, prestador de TI, contador com acesso remoto, empresa de manutenção com senha do servidor: cada acesso externo é uma porta.
Nas transições de TI que conduzimos, acessos de terceiros esquecidos e senhas de administrador que ficaram com o fornecedor anterior aparecem com frequência. Ninguém revoga o que não sabe que existe.
O que fazer: lista de quem tem acesso, com que permissão e até quando. Acesso remoto com dupla autenticação e revisão periódica. Se estiver trocando de fornecedor de TI, veja como fazer a transição sem perder o controle.
4. IA dos dois lados
A previsão de que a IA seria arma e escudo ao mesmo tempo se confirmou. A Microsoft relata que atacantes usam IA para automatizar phishing, escalar engenharia social, criar mídia sintética, achar vulnerabilidades mais rápido e produzir malware que se adapta. O DBIR 2026 identificou 15 técnicas de ataque já reforçadas por IA generativa.
O dado que mais nos chamou a atenção, porém, é interno. Os funcionários que usam IA com frequência nos equipamentos da empresa passaram de 15% para 45% em um ano, e 67% usam contas não corporativas para isso. Escrevemos um artigo só sobre esse ponto: os riscos de usar conta pessoal no trabalho, inclusive com IA.
O que fazer: oferecer uma IA corporativa aprovada, definir o que nunca pode ser colado nela e treinar a equipe para reconhecer golpes mais convincentes.
5. O celular virou alvo preferido
O DBIR 2026 mostra que a engenharia social pelo celular, com SMS e ligações falsas, tem taxa de sucesso 40% maior que o phishing tradicional por e-mail. Faz sentido: no celular, a tela é pequena, o remetente é difícil de verificar e a pessoa está com pressa.
O que fazer: gestão dos celulares corporativos com separação entre dados pessoais e da empresa, e treinamento que inclua golpes por WhatsApp, SMS e ligação, e não só por e-mail.
6. Identidade continua decisiva
Mesmo com as vulnerabilidades em primeiro lugar, senha segue como alvo constante. Segundo o relatório de defesa digital da Microsoft, mais de 97% dos ataques de identidade são ataques de senha, e a autenticação multifator (MFA), aquele segundo código ou aprovação no celular, pode bloquear mais de 99% deles.
O que fazer: dupla autenticação em e-mail, acesso remoto, sistemas financeiros e contas de administrador, sem exceção para a diretoria.
7. No Brasil, a cobrança vem mais do mercado que da lei nova
O Marco Legal da Cibersegurança (PL 4752/2025) ainda tramita no Senado, sem votação na comissão de Ciência e Tecnologia até 28 de setembro de 2026, e, pelo texto apresentado, não cria obrigações diretas para todas as empresas privadas. O que já vale é a LGPD: medidas de segurança para dados pessoais e comunicação de incidentes relevantes à ANPD e aos titulares em até 3 dias úteis.
A ANPD incluiu inteligência artificial entre os quatro temas prioritários de fiscalização para 2026 e 2027. E a cobrança prática veio de clientes grandes e seguradoras. Em um cliente que contratava seguro cyber, comparamos o questionário da seguradora com a realidade técnica e fechamos as lacunas: firewall, criptografia dos notebooks, teste de restauração de backup e controle dos celulares.
Uma tendência discreta: certificados mais curtos
Desde 15 de março de 2026, certificados de site (os do cadeado HTTPS) podem valer no máximo 200 dias. O prazo cai para 100 dias em 2027 e 47 dias em 2029, por decisão do CA/Browser Forum. Quem renova certificado manualmente vai ter problema. O que fazer: automatizar a renovação e saber quem cuida disso.
O que não se confirmou como previsto
Algumas “tendências” de março eram mais direção do que fato mensurável. Não encontramos dados confiáveis que mostrem, por exemplo, que o modelo Zero Trust “virou padrão” nas PMEs. O princípio continua correto: verificar identidade, dispositivo e contexto em cada acesso, e dar a cada pessoa só o acesso necessário. Mas preferimos não afirmar o que os dados não mostram.
Nossa recomendação para uma PME
Nossa leitura de 2026 é que o básico bem feito resolve a maior parte do risco. Na Pulso, com mais de 1.500 dispositivos monitorados, recomendamos esta ordem:
- Atualizar tudo e aposentar o que perdeu suporte.
- Dupla autenticação em todos os acessos críticos.
- EDR com monitoramento em vez de antivírus sozinho. Explicamos a diferença em por que o antivírus não é mais suficiente.
- Backup imutável e testado, incluindo o Microsoft 365.
- Controle de acessos de terceiros e de ex-funcionários.
- IA corporativa aprovada e política simples de uso.
- Treinamento que inclua golpes por celular.
Próximo passo
A maior parte desses pontos está no escopo da segurança gerenciada da Pulso, em contrato mensal com monitoramento contínuo. Quer saber em qual deles a sua empresa está mais exposta? Agende um diagnóstico gratuito.
Fontes
- Verizon: 2026 Data Breach Investigations Report (página do relatório)
- Verizon: 2026 DBIR, relatório completo
- Verizon: comunicado de imprensa do DBIR 2026
- Sophos: State of Ransomware 2026
- Microsoft: Digital Defense Report 2025, principais conclusões
- Microsoft Learn: atualizações de segurança estendidas do Windows 10
- ANPD: Mapa de Temas Prioritários 2026-2027
- ANPD: comunicação de incidente de segurança
- CA/Browser Forum: Ballot SC-081v3
- Senado Federal: tramitação do PL 4752/2025
- DigiCert: cronograma de redução da validade dos certificados TLS
Perguntas frequentes
Qual foi a principal porta de entrada dos ataques em 2026?
Segundo o relatório de violações da Verizon publicado em maio de 2026, a exploração de vulnerabilidades passou as credenciais roubadas pela primeira vez em 19 anos e está no início de 31% das violações analisadas.
Pequenas empresas ainda são alvo de ransomware?
Sim. O ransomware esteve presente em 48% das violações no relatório da Verizon de 2026. Na pesquisa da Sophos de 2026, só 1 em cada 3 organizações menores conseguiu parar o ataque antes da criptografia dos dados.
Minha empresa ainda usa Windows 10. É um problema?
É. O suporte do Windows 10 terminou em 14 de outubro de 2025. Empresas podem comprar atualizações de segurança estendidas por até três anos, com preço que dobra a cada ano. O caminho mais seguro é planejar a troca.
O Marco Legal da Cibersegurança já vale em 2026?
Não. Na nossa última verificação, em 28 de setembro de 2026, o PL 4752/2025 ainda tramitava no Senado. O que já vale são a LGPD e o prazo de 3 dias úteis para comunicar incidentes com dados pessoais.
Este conteúdo é informativo e não substitui orientação jurídica.
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